Do site da Abami
O mercado de locação também tem sofrido com a crise, mas vem
se ajustando para manter o equilíbrio. Segundo o advogado especialista em
direito imobiliário e diretor da Bervel Administradora, Arnon Velmokitsky, a
procura por imóveis era grande há dois anos. Na época, imobiliárias e locadores
chegavam a esnobar alguns candidatos. Agora, o jogo virou.
Com mais placas de ‘aluga-se’ do que interessados em fechar
negócios, os proprietários estão se ajustando como podem para atrair novos
locatários e manter os que já têm. O especialista conta que os proprietários
estão muito mais maleáveis, aceitando, inclusive, redução no preço no aluguel.
“Alguns locadores não fizeram e nem vão aplicar o reajuste anual nos contratos
vigentes e outros até mesmo diminuíram o valor mensal. Tudo para segurar o
locatário, porque o imóvel fechado não dá lucro, como também dá prejuízo, já
que o dono vai ter que pagar condomínio, água e luz enquanto a unidade estiver
vazia”, ressalta.
Na tentativa de liquidar o que está parado, proprietários
também estão mais abertos para fiadores de outras cidades e estados. Antes
disso, as imobiliárias restringiam para avalistas com imóveis na capital
apenas, seguro-fiança ou depósito.
Há, ainda, outras formas negociação. “As despesas que o
inquilino paga, como IPTU e fundo de reserva, podem ser conversadas para se
chegar a um acordo bom para os dois”, explica Velmovitsky. De acordo com ele, a
situação é ainda mais complicada para os imóveis comerciais. “Tem gente que até
desistiu de cobrar o aluguel e está aceitando apenas que o locatário pague as
despesas ordinárias, para não ficar no prejuízo”, afirma Velmovitsky.
Para o vice-presidente de Locações do Sindicato da Habitação
(Secovi Rio) e também vice-presidente da Zirtaeb, Antonio Paulo Monnerat, o
aumento da oferta faz o preço da locação cair. “Essa é a regra de mercado. O
que estamos vendo hoje são exceções. O proprietário não aplica o reajuste ou
cobra percentual inferior. Se a taxa for de 9%, ele aplica 5%, dependendo do
bairro. Os proprietários estão mais flexíveis, pois sabem que manter o imóvel
fechado representa despesas”, diz Monnerat.
RENDA DESPENCOU
Ele lembra que a renda dos brasileiros despencou e a taxa de
desemprego ainda está alta. Por isso, a previsão de recuperação para 2017 será
lenta para o mercado e para a economia. O Secovi Rio lançou o Panorama do
Mercado Imobiliário de 2016, que aponta uma variação negativa para locação em
quase todas as regiões. Exceção à Zona Oeste, que registrou 1,08% de aumento no
metro quadrado. “Estamos falando de uma área grande, com bairros como Bangu,
Campo Grande, Realengo e Jacarepaguá. Vale lembrar que no período de baixa, é
possível conseguir bons negócios para quem paga à vista. E na locação não é
diferente. Os preços do aluguel não vão cair tanto em 2017”, explica Monnerat.
E o que também está acontecendo é que está se levando mais
tempo para alugar. “Antes da crise, em 15 dias o imóvel era alugado. Agora,
pelo menos dois meses e ainda têm bairros que sofrem com a violência”, compara
Monnerat. Com esse cenário, os proprietários também estão aceitando investir no
embelezamento do imóvel antes de colocá-lo para alugar. “Estão fazendo melhorias
como piso de porcelanato, sinteco novo e pintura. Recentemente, atendi um
cliente que queria alugar uma sala comercial 10% mais cara do que a do
concorrente dele que está com o imóvel comercial com piso de porcelanato, ou
seja, pronta para o profissional liberal alugar e já começar a trabalhar.
Expliquei a realidade e ele acabou reduzindo o valor da locação”, conta.
Para o vice-presidente Comercial da Renascença, Edison
Parente, o mercado está aquecido no período do fim do ano. Mas a situação muda
em seguida. “As pessoas se apressam em alugar e passar as festas de fim de ano
na nova casa. Para incrementar os negócios, estamos divulgando algumas mídias
pela nova e eficiente ferramenta que adotamos: as listas de transmissão do
WhatsApp. Estamos fechando os números. Mas posso dizer que neste ano já
superamos o resultado de 2015. E tudo indica que teremos um ano de 2017 um
pouco melhor que este”, avalia.
Parente lembra que a administradora está flexibilizando
algumas situações pontuais na documentação para viabilizar as locações de
imóveis que estão mais de seis meses anunciados e não alugam. Mas ressalta:
sempre com conhecimento e autorização do proprietário.
Fonte: O Dia,
18/01/2017
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