Como a transformação do comportamento do consumidor atinge o
mercado imobiliário A globalização e a facilidade de obtenção de informações
que a internet proporciona às pessoas nos dias de hoje resultou em um novo
comportamento dos consumidores de todos os setores. A tecnologia conduz, mesmo
que indiretamente, o desempenho de profissionais de diversos mercados,
definindo quem está ultrapassado ou apto para melhor atender as necessidades
dos clientes atuais. No mercado imobiliário não está sendo diferente. O
consumidor mudou. E o mercado precisa acompanhar essa transformação.
Em tempos
modernos com a popularização da internet, o comprador em potencial não se sente
mais tão dependente do corretor imobiliário. Com o acesso ilimitado de
informações, o consumidor deixou de ser passivo e ficou mais exigente com o
profissional que irá atendê-lo devido às possibilidades de obter os dados
necessários da unidade imobiliária com apenas um clique e sem sair de casa.
Sendo assim, os papeis se inverteram. O consumidor passou a ir em busca do
profissional, e não o contrário.
Para a Doutora em Gestão da Inovação
Tecnológica, Aleksandra Sliwowska, mesmo a internet oferecendo um mar de
possibilidades, o consumidor não deve deixar o bom senso crítico de lado.
–
Aceitar que a informação fornecida pelo Google é inquestionável, é um grande
erro. A internet se torna uma poderosa ferramenta que permite, rapidamente, a
avaliação de diversas possibilidades pelo consumidor, entretanto, o espírito
crítico deve estar sempre em alerta, pois é importante destacar que qualquer
foto publicada da unidade imobiliária mostrará apenas o que o imóvel tem de
bom. Por isso após as pesquisas, o imóvel desejado deve ser visitado para
melhor verificação – afirma Aleksandra.
Apesar do avanço da tecnologia, o
consumidor imobiliário permanece prezando antigos costumes como a visitação e o
contato direto com o profissional de corretagem imobiliária, porém, em
condições um pouco diferentes. Nos dias de hoje, o tempo é escasso para muitas
pessoas. O atendimento do corretor de imóveis deve ter objetividade e
simplicidade, fatores fundamentais para a eficácia de uma intermediação de
sucesso. O profissional deve ser claro, íntegro e comprometido com o serviço
que está prestando e de forma eficaz conseguir resolver qualquer requerimento
do consumidor.
Em busca de sua independência e de seu primeiro imóvel, o
empresário de 26 anos Diego Rodrigues, conta que recorreu à internet para
procurar unidades a venda e avaliar a atual situação do mercado imobiliário no
Rio de Janeiro. Após conseguir os dados e informações necessárias, realizou as
visitas pessoais a estandes de vendas no bairro de Jacarepaguá.
– Após extensa
pesquisa online, comecei o processo de busca do meu imóvel. Defini a região que
gostaria e o tipo de unidade. Optei por um imóvel na planta. Em Jacarepaguá há
muitos investimentos imobiliários a serem lançados. O primeiro contato com um
corretor de imóveis que tive foi em uma das minhas visitas aos estandes de
venda e fez toda a diferença para a minha decisão. Ele me ajudou com as dúvidas
burocráticas e fez com que todo o processo de compra fosse mais ágil, algo que,
com certeza eu não conseguiria pela internet, por exemplo – ressalta Diego.
De
acordo com a doutora Aleksandra, as questões mais consideradas em um
atendimento pelos clientes hoje, é a capacidade que o profissional tem de
entender o problema do potencial comprador e ajudá-lo de forma prática a
resolvê-lo.
– O corretor precisa ser capaz de entender quais são as reais
necessidades de seus clientes, bem como a sua capacidade de pagamento. Vamos
lembrar que, a compra de um imóvel é a realização de um sonho e que muitas
vezes, pelo sonho cometemos loucuras, das quais não seremos capazes de
concluir. Então um intermediário qualificado faz toda a diferença! Outra questão é a paciência que envolve
orientação mais tempo suficiente para que o cliente se convença de bons
argumentos, bem como persistência que resulta na busca e oferecimento de
infinitas possibilidades para um cliente que poder ser um pouco mais indeciso.
Além disso, mesmo que a transação não seja efetuada, deixar uma boa impressão
pode render futuras indicações – conclui Sliwowska.
De acordo com pesquisas
realizadas neste ano de 2016, o novo consumidor de imóveis ainda sofre com
velhos problemas como:
- Imóveis com informações desatualizadas;
- Desconhecimento de documentos e excesso de burocracia;
- Atendimento despreparado;
- Falta de mais informações desmotivando a conclusão da transação imobiliária.
Ressalta-se que, as novas ferramentas apresentadas pela era
tecnológica devem ser utilizadas com
intuito de agregar o atendimento do
corretor de imóveis. Todavia, os mecanismos tradicionais permanecem de
forma significativa influenciando os potenciais compradores.
Deborah Mendonça,
diretora da CIPA e Presidente da ABADI (Associação Brasileira das
Administradoras de Imóveis), afirma que os gestores de todos os setores do
mercado imobiliário devem investir em novas ferramentas tecnológicas para
acompanhar essa nova geração de consumidores:
– Existem dois fatores
primordiais para o consumidor nos dias de hoje, que interligados, movem as
transações imobiliárias, são eles: o tempo e o custo. As empresas devem buscar maior interatividade
por aplicativos e dispositivos móveis. Investir em tudo aquilo que possa
facilitar as atividades dos clientes. A automatização de todos os serviços,
como por exemplo, os pagamentos, são investimentos necessários para aprimorar
essa integração. A geração atual de consumidores busca uma comunicação mais
instantânea, de pronta resposta. Claro que existem clientes que não são adeptos
ainda a essas tecnologias, mas nós como profissionais temos sempre que olhar
para o futuro, e estarmos aptos para atender toda a variedade da categoria.
Não
são apenas os meios de comunicação entre as partes que mudaram na relação entre
o profissional de corretagem imobiliária e seu cliente. O perfil do consumidor
também teve alterações. Há alguns anos que a busca por imóveis não vem apenas
de recém-casados ou de uma família tradicional que ficou mais numerosa e busca
um imóvel maior.
– A categoria de jovens como consumidores no mercado
imobiliário vem crescendo bastante. A busca pela independência, juntamente com
o ingresso no mercado de trabalho são fatores que estão influenciando muito nessa
expansão – destaca Deborah Mendonça.
Os jovens na faixa de 25 anos e os idosos
são consumidores em potencial que estão exponencialmente crescentes no setor
imobiliário. Em busca de autonomia, movimentam o setor de unidades imobiliárias
compactas. Com isso, o corretor de imóveis deve ficar atento, pois são públicos
diferentes que possuem prioridades opostas na hora de adquirir o bem.
–
Normalmente, pessoas mais maduras ainda têm característica de olho no olho, de
visitar o imóvel, conhecer as instalações, ter contato direto com o corretor.
Pessoas mais idosas morando sozinhas darão prioridade a bairros com uma
infraestrutura que lhes garanta uma maior independência. Os mais jovens tendem
a procurar equalizar a localização do imóvel com o local de trabalho e, caso
possuam uma renda mais elevada, valorizam edifícios que possam trazer
funcionalidades que facilitem suas vidas no dia a dia – esclarece a doutora
Aleksandra Sliwowska.
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