Para quem quer comprar a casa própria e está confiante na
recuperação da economia, o ano que vem pode reservar oportunidades
A partir de 2018, preços devem começar a subir
Do Exame.com
São Paulo – Apesar de o cenário político e econômico do país
não permitir traçar uma previsão clara sobre qual será o desempenho do mercado
de imóveis para o ano que vem, em um ponto os especialistas concordam: após uma
queda real de 6,25% nos últimos 12 meses, os preços de casas e apartamentos
tendem a ficar estáveis em 2017.
No ano que vem, o mercado deve atingir o fundo do poço
quando se fala de preços, segundo João da Rocha Lima, professor do Núcleo de
Real State da Poli-USP. “Considerando um cenário no qual a economia comece a se
recuperar devagar, e a inflação caia, os preços devem ficar estáveis até
voltarem a subir”. Além disso, as construtoras já estão com margens bastante
apertadas para diminuir preços, diz Lima. “Não há espaço para mais quedas”.
Apesar de ainda não haver no horizonte a previsão de um
aumento de renda dos consumidores para incentivar a compra da casa, a
expectativa de Flavio Amary, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP),
é de que ao menos o nível de desemprego pare de piorar no ano que vem. Nesse
cenário, o executivo aponta que empresas preferem deixar os preços estáveis e
aguardar uma retomada da economia.
Estoque ainda é problema
A exceção nesse cenário são empresas que ainda têm estoque
de imóveis prontos e precisam de dinheiro. “Essas construtoras querem se livrar
dessas unidades o quanto antes. Como consequência, cobrarão preços mais
atrativos por elas”, diz Lima. Amary concorda, ainda que, assinala, há menos
empresas nessa posição agora do que nos últimos anos.
Apesar de não serem divulgados dados confiáveis sobre o
tamanho do estoque de imóveis prontos, que geram mais custos para as empresas,
Lima acredita que o problema ainda não foi resolvido por conta de um aumento no
cancelamento dos contratos já firmados, que acaba fazendo com que o estoque de
imóveis volte a aumentar. No acumulado deste ano até outubro, foram distratadas
37.702 unidades, 33% das unidades entregues pelas construtoras no período.
Geralmente, os contratos de imóveis na planta são cancelados
porque o mutuário não consegue financiamento bancário no momento da entrega das
chaves, seja porque ficou desempregado ou porque os bancos aumentaram as
exigências frente a um aumento na inadimplência e do desemprego.
“Há quem diga que, para cada imóvel vendido, dois contratos
são cancelados. Esse problema deve ser solucionado até o final do primeiro
semestre de 2017, quando a economia deve começar a melhorar. Mas não temos
dados precisos sobre isso”.

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