segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Aluguel mais barato aumenta o número de locações em Niterói

Segundo estudo realizado pelo Secovi, em 2016, o preço médio das locações teve baixa de 8,33%

Do jornal O Fluminense


Aluguéis mais baratos voltam a movimentar o fluxo de locações na cidade. Em alguns casos a diminuição do aluguel pode chegar até em 30% se comparados ao primeiro semestre de 2016. De acordo com estudo realizado pelo Sindicato da Habitação (Secovi Rio), assim como no Rio de Janeiro, o preço do metro quadrado para locação em Niterói sofreu baixa.


A baixa nos preços foi determinante para o cirurgião-dentista Heráclito Dambyski 
conseguir alugar seu novo apartamento em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói 
Foto: Evelen Gouvêa


Na capital, em média, o preço ficou em -6,02%, enquanto por aqui, a queda registrada foi de -8,33%. Para especialistas, o índice é reflexo de um reajuste necessário que envolve uma série de fatores eventuais e econômicos. A medida tem surtido efeito e desde o segundo semestre do último ano as contratações voltaram a crescer.

Após um período de extrema valorização em função da realização de megaeventos internacionais e profissionais vindos de outros estados para residir na cidade e trabalhar no Comperj, assim como em todo o País, Niterói entrou em um período de demanda retraída para compra e locação de imóveis. Mas assim como tem acontecido com as aquisições, as locações começam a retomar o fôlego, principalmente por conta de promoções oferecidas pelo mercado neste momento. 

“Historicamente, o preço de imóveis, seja para venda ou locação, tende a crescer e não diminuir. Mas diante do movimento de alta que o mercado experimentou desde 2010 até o fim de 2014, é natural que agora haja um período de adaptação, principalmente para que os proprietários pudessem entender que se não reduzissem os valores das locações ficariam com os imóveis vazios”, explica Luiz Claudio Moreira, diretor da Self Administradora.

“Esse movimento começou em meados de 2015 e passou a ser uma realidade a partir do início do segundo trimestre de 2016, quando os locadores passaram a autorizar descontos nos valores dos aluguéis que vinham sendo praticados.

Após um período de valorização, 
a queda nos preços é uma realidade no mercado
Foto: Evelen Gouvêa

Com isso, a partir dessa época, começamos a sentir uma retomada considerável nos negócios. Até então, o número de distrato era maior do que o de contratos. Mas com essa nova postura, conseguimos virar o ano com saldo positivo. Estamos esperançosos que 2017 continue sendo assim”.

No mercado de locação, as quedas mais consideráveis foram nos imóveis comerciais, principalmente salas e espaços corporativos. Assim, como houve um aumento considerável na oferta desses imóveis e a procura diminui, segundo Luiz Cláudio, existem casos em que o valor do aluguel foi reduzido em até 30%. Já nos imóveis residenciais, de acordo com o administrador, a redução foi de até 15%, dependendo do bairro.

“Além da redução nos valores dos aluguéis, fizemos campanhas de descontos que iniciaram no segundo trimestre de 2016, com bonificação de até 3 meses de aluguel, descontos, etc. Acredito que para o mercado de locação residencial o pior já passou. A tendência é de retomada gradativa. Já na primeira semana de janeiro, os atendimentos superaram os números dos meses anteriores. Percebemos também uma sensível queda nas rescisões, a palavra de ordem foi negociação. A expectativa para 2017 é otimista, sem exagero”, aposta Moreira.

O mercado imobiliário segue impactado pela atual instabilidade econômica e política do país, e Niterói não é exceção. A cidade também foi diretamente afetada pela crise na “cadeia do petróleo”, que afetou a Petrobras e suas prestadoras de serviço, explica Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio.

“No caso de Niterói, especificamente, os problemas com o Comperj retiraram do mercado de trabalho considerável quantidade de vagas, que por sua vez movimentavam o mercado de aluguéis na cidade, já que boa parte desta mão de obra, principalmente engenheiros e demais cargos de nível gerencial, residiam em Niterói. A perda de renda e o grande volume de imóveis disponíveis fizeram com que os valores praticados para os aluguéis tivessem essa redução”, explica Leonardo.

Como reflexo também houve muita negociação por parte dos inquilinos para redução dos valores, já que estes têm tido um grande nível de incerteza em relação ao futuro e suas respectivas rendas cada vez mais comprometidas, explica Schneider.

“Em busca de uma situação financeira mais confortável, é de se esperar que exista uma migração daqueles que hoje alugam imóveis em áreas nobres para regiões com aluguel mais em conta, como Santa Rosa, Fonseca, Maria Paula, entre outras. Também acredito que os proprietários que estão com seus imóveis alugados devem ter um comportamento mais flexível no momento dos reajustes anuais, privilegiando a manutenção daqueles inquilinos que possuem um bom histórico na relação”, defende o vice-presidente do Secovi Rio.

A baixa nos preços do aluguel foi determinante para que em dezembro o cirurgião-dentista Heráclito Dambyski, 26 anos, conseguisse fechar o negócio que procurava, o aluguel de um apartamento em Santa Rosa.

“Há mais de três meses procurava imóveis que estivessem com um preço acessível, mas não encontrava nada. Os que conseguia estavam em um péssimo estado de conservação: antigos, sem reformas, com um monte de problemas. Eu morava em um lugar muito bacana no Alto da Boa Vista, no Rio, por isso tentei procurar por locais semelhantes em Niterói. Icaraí, Santa Rosa, Ingá... Mas o preço que poderia pagar me reservaria um apartamento muito pequeno. Quando encontrei esse imóvel já estava desesperançoso. Mas o interessante foi ver que, praticamente ao mesmo tempo em que esse apartamento surgiu, outros foram aparecendo. Enfim, um apartamento bom, em condomínio, numa localização ótima em Santa Rosa, todo reformado, por 1100 reais de aluguel. Não poderia estar mais satisfeito” comemora Heráclito.

De tanto pesquisar, Dambyski consegue mensurar com exatidão os descontos que passaram a ser oferecidos. 

“O mesmo tipo de imóvel estava cerca de 600, 700 reais a mais, só o aluguel. Sem falar no IPTU, que era absurdo. Senti uma diferença muito grande. Após quase quatro meses de procura, consegui o imóvel que gostaria com o preço que poderia pagar. Houve essa queda nos preços de aluguel e senti isso na pele – ou melhor, na conta bancária. Consegui me mudar para mais perto do trabalho e confesso que saí no lucro. Pago mais barato, moro em um lugar ótimo e não precisei abrir mão do que procurava em um apartamento” conclui o cirurgião-dentista.

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